# Guia: o Claude Code procura app espião no teu Android

> Um guia do @souoallan. Manda este arquivo pro Claude Code com o celular Android ligado no computador por cabo USB.
> Ele só lê e lista. Nada é apagado sem o teu sim.
> Se tu acha que alguém tá te vigiando e corre perigo, liga 190. Pra orientação, a Central de Atendimento à Mulher é o 180
> (grátis, 24 horas).

## Pro Claude Code: o pedido

Liguei meu celular Android neste computador pelo cabo USB. O celular é meu (ou o dono dele tá aqui do lado e autorizou).
Desconfio que tem um app espião nele. Quero saber se tem algum app escondido, disfarçado ou com acesso demais, e quero
guardar as provas antes de decidir qualquer coisa. Se eu disser "só lista", tu não remove nada, nem pergunta.

**Pronto quer dizer:**
- a conexão com o celular funcionando, com o `adb devices` mostrando o aparelho como "device";
- a lista de todos os apps instalados, inclusive os que não aparecem na tela inicial;
- os suspeitos destacados, cada um com o motivo em português simples;
- uma pasta "evidencia-celular-AAAA-MM-DD" na minha pasta pessoal com tudo salvo (listas, permissões, datas de instalação
  e o arquivo de instalação de cada suspeito);
- um relatório `relatorio.md` nessa pasta que dá pra mostrar pra polícia ou pra quem for investigar.

## Como chegar lá

- **Preparar o adb.** Vê se o `adb` já existe. Se não, instala o Android Platform Tools oficial do Google
  (no Mac, `brew install --cask android-platform-tools`; no Windows, `winget install Google.PlatformTools`; ou o zip de
  developer.android.com/tools/releases/platform-tools). Me explica, passo a passo e em linguagem simples, como ligar as
  Opções do desenvolvedor (tocar 7 vezes em "Número da versão" em Configurações > Sobre o telefone) e a Depuração USB,
  e que eu preciso tocar em "Permitir" no aviso que aparece no celular. Se o `adb devices` mostrar "unauthorized",
  me diz pra olhar a tela do celular.
- **Listar tudo.** Roda e cruza:
  - `adb shell pm list packages -3 -i -f` (apps instalados por fora do sistema, com quem instalou e onde está o arquivo);
  - `adb shell pm list packages -d` (apps desativados) e `adb shell pm list packages -u` (inclusive os que sobraram de
    desinstalação);
  - `adb shell cmd package query-activities -a android.intent.action.MAIN -c android.intent.category.LAUNCHER` pra saber
    quem tem ícone na tela inicial. App instalado sem ícone é suspeito.
- **Caçar os sinais de espião.** Pra cada app de fora do sistema:
  - **De onde veio:** `installer=com.android.vending` é a Play Store. Instalador vazio ou estranho quer dizer que foi
    instalado à mão (arquivo APK), o caminho mais comum de app espião.
  - **Administrador do aparelho:** `adb shell dumpsys device_policy`. App comum que vira administrador dificulta a
    própria remoção.
  - **Acessibilidade e notificações:** `adb shell settings get secure enabled_accessibility_services` e
    `adb shell settings get secure enabled_notification_listeners`. Com isso um app lê a tela, as mensagens e o que é
    digitado.
  - **Permissões:** `adb shell dumpsys package <pacote>` e procura localização em segundo plano
    (`ACCESS_BACKGROUND_LOCATION`), microfone, câmera, SMS, chamadas, contatos e "iniciar sozinho" (`RECEIVE_BOOT_COMPLETED`).
    Anota também `firstInstallTime`, `lastUpdateTime` e `versionName`.
  - **Quem pediu localização:** `adb shell dumpsys location` (os registros recentes mostram quais apps pediram e com que
    frequência, quando o celular guarda isso).
  - **Uso de internet e atividade:** `adb shell dumpsys netstats detail` e `adb shell dumpsys usagestats` pra ver quem
    manda dados e roda escondido.
  - **Nome disfarçado:** nome genérico tipo "System Service", "Sync Services", "Update", "Wi-Fi", "Device Health", pacote
    com nome de sistema que não é do fabricante, ou app sem nome. Confere se o pacote é de verdade do Android, do Google
    ou do fabricante antes de acusar. Nunca marca app do sistema como espião só pelo nome.
- **Salvar a evidência antes de qualquer coisa.** Guarda a saída de cada comando em arquivo `.txt` na pasta, com a data e
  a hora. Pra cada suspeito, copia o APK (`adb shell pm path <pacote>` e `adb pull`) e calcula o SHA-256. Anota modelo e
  versão do Android (`adb shell getprop ro.product.model` e `ro.build.version.release`). Não abre nem roda o APK.
- **Explicar.** Pra cada suspeito: o nome que aparece, o pacote, quando foi instalado, de onde veio, o que ele consegue
  fazer e o grau de suspeita (alto, médio, baixo). Diz também o que é falso alarme provável.

## Limites

- **Só lê e lista.** Não desinstala, não desativa, não tira permissão e não reinicia o celular sem o meu sim, um app de
  cada vez.
- **Antes de oferecer remoção, me avisa:** quem instalou o espião pode perceber que ele parou de mandar dados. Se eu
  quiser denunciar, o certo é salvar a evidência, procurar a polícia (Delegacia da Mulher, delegacia comum ou 190 se for
  urgente; o 180 orienta) e só remover depois, com orientação. Se eu decidir remover e o app for administrador do
  aparelho, me ensina a tirar ele de administrador nas Configurações antes.
- **Não promete o que não dá:** não descobre quem instalou, o número, o IMEI nem a conta de quem recebe os dados. Isso é
  trabalho da polícia com a evidência.
- Nunca mexe em conta, senha, e-mail, banco, WhatsApp nem nas configurações do Google. Nunca pede senha no chat.
- Não faz root, não instala nada no celular e não manda nenhum arquivo meu pra internet.
- Se o celular for iPhone, para e me diz que esse método não funciona no iPhone e o que dá pra conferir nele.

Termina com três partes: **O que eu achei**, **Onde está a evidência**, **O que eu preciso de ti**.
